quarta-feira, 2 de março de 2016

Livro - Resenha #52 | CLAROS SINAIS DE LOUCURA, Karen Harrington (EDITORA INTRÍNSECA)


Nome original: Sure Signs of Crazy
Autora: Karen Harrington
Editora: Intrínseca
Páginas: 256
Claros Sinais de Loucura conta a história de Sarah Nelson, uma garota que acaba de terminar o sexto ano. Ela mora sozinha com o pai, um professor que ama mas que tem problemas com a bebida. A mãe de Sarah, Jane Nelson, tentou afogar a menina e seu irmão gêmeo Simon, quando os dois tinham apenas dois anos, e agora vive num hospital psiquiátrico. Sarah sobreviveu, mas Simon não.

O caso da mãe de Jane é conhecido em muitos lugares, e devido a isso, ela e seu pai, Tom Nelson, já se mudaram várias vezes por serem tratados mal pelas pessoas. Além disso, Sarah sente muita falta de uma mãe presente, uma mãe normal, como ela diz. Aos poucos, a pequena garota começa a pensar que os genes da loucura estão no seu sangue e que ela pode também estar ficando louca, o que a assusta. Como se não bastasse, ela ainda carrega uma relação difícil com o pai, que bebe muito e é muito protetor.

Nas férias de verão, Sarah não quer ir mais uma vez para a casa dos avós fazer coisas chatas, num lugar chato e monótono. Além disso, ela fez uma aposta com sua melhor amiga sobre furar as orelhas e dar o primeiro beijo de língua com um garoto, o que seria impossível fazer perto dos seus avós. Com dificuldade e sorte, ela acaba convencendo o pai a deixá-la passar os dias com Charlotte, uma vizinha que também está de férias da faculdade e que tem uma ótima relação com Sarah. Mas as férias de verão serão muito diferentes dessa vez.


Seria muito idiota dizer que eu chorei nesse livro? Acho que sim, já que ninguém que eu conheço que leu chorou. Pois é, eu sou uma manteiga derretida mesmo, mas acho que todas as reflexões e o modo como Sarah entendeu todas as coisas que a deixavam tão emocionalmente frustrada me fizeram transbordar em lágrimas no penúltimo e último capítulo. Às vezes as coisas, mesmo complicadas, não precisam de muito para que possamos aprender a lidar com elas.

O livro todo é muito inocente. O modo como a garota fala das coisas leva essa característica e algumas das pessoas que leram chegaram a comentar comigo que acharam isso ruim, porque parecia que ela não sentia as coisas de verdade: a perda do seu irmão gêmeo, o fato da sua mãe ter tentado matá-la e agora estar em uma clínica psiquiátrica, entre outras coisas, mas a verdade é que ela sente e demonstra sua tristeza muitas vezes em forma de indignação e frustração. Ela é uma criança de doze anos que mal se lembra desse acontecimento tão arrebatador, como podemos esperar que ela demonstre muito mais tristeza por um irmão que ela nem de fato conheceu? Ou uma mãe que não esteve presente por mais da metade de sua vida? E mesmo assim, esse argumento não é de todo verdade, conforme lemos o livro a fundo, é possível sentir a dor em suas palavras, as cicatrizes do trauma e da saudade de ter algo que ela nem chegou a ter.

Todas as coisas, por mais sérias que sejam, são tratadas com muita suavidade e, como já dito, inocência. Sarah descobre muito sobre si mesma e sobre as outras pessoas, o que a faz não apenas mudar com a puberdade, mas a amadurece na mente, embora ela já seja muito inteligente para a idade.


O livro em si é bem reflexivo e, ao longo dos acontecimentos, Sarah vai explicando algumas palavras essenciais, vezes com explicações próprias e vezes com seus significados reais. Podemos dar risadas em alguns trechos também, o que torna o livro ainda mais gostosinho para ler.

O ponto negativo, que me fez tirar duas estrelas no Skoob (e uma e meia aqui), é que para mim, pelo menos, o livro não foi tão bom quanto poderia. Quero dizer, esse é aquele tipo de livro que não faz falta se você não o ler, embora tenha sido uma boa experiência. Faltou algo, qualquer coisa, que me fizesse me apegar a leitura não só porque é suave e rápida, mas por ter algo que me prendesse, assim como com qualquer leitor.

É meu primeiro livro da Karen e eu quero ler mais alguma coisa dela, só para saber se ela fez isso apenas nessa história, porque por mais que ela não consiga captar o leitor tão bem, ela tem uma escrita fluida e bons personagens.

Sobre a edição, ficou muito bonita. Eu adorei a capa, que combinou muito com a história em si. Recomendo o livro, mas não espere algo muito diferente ou empolgante, você pode se arrepender.



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